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OSID disponibiliza pacotes de viagem para cerimônia de santificação de Irmã Dulce no Vaticano a partir de R$ 7 mil

Pacote mais básico inclui passagens de ida e volta, hospedagem para cinco dias e traslados para canonização.

Devotos que quiserem acompanhar a cerimônia de santificação de Irmã Dulce no Vaticano vão poder comprar um dos pacotes de viagens oferecidos pela Secretaria de Canonização das Obras Sociais que levam o nome da primeira santa brasileira.

O pacote mais básico, que inclui passagens de ida e volta e mais hospedagem para cinco dias, além dos traslados para a canonização custa cerca de R$7.500. Informações sobre outros preços e reservas podem ser feitas pelo endereço canonizacao@irmadulce.org.br.

Ao todo, foram disponibilizados 15 mil convites aos brasileiros devotos de Irmã Dulce. Os interessados devem entrar em contato pelo e-mail, para serem informados como serão feitos os acessos. Os postos de entrega desse acesso ainda vão ser divulgados.

Entre os fiéis que vão embarcar para o Vaticano está a cantora Margareth Menezes, que vai cantar na cerimônia. Ela faz aniversário no dia 13 de outubro, mesmo dia da cerimônia de canonização. Além disso, Margareth foi vizinha da Santa Dulce dos Pobres.

“Sempre a gente encontrava Irmã Dulce e pedia bênção a ela, então é um momento assim de muita gratidão. Eu me sinto muito gratificada pela vida, muito honrada. Eu, juntamente com Waldonys, esse músico maravilhoso, sanfoneiro do nosso nordeste, e a gente pretende fazer uma apresentação assim, para honrar, para louvar essa nossa santa brasileira Irmã Dulce”, disse Margareth.

Outra pessoa que também vai embarcar para a cerimônia é a professora Tânia Zacarias. Ela já garantiu passagem e hospedagem e conta que conheceu pessoalmente a beata Dulce.

“Eu tive a felicidade, na minha infância, de conhecer Irmã Dulce. Nunca conversei com ela, mas vi várias vezes ela passar. Eu conheci essa santa. É algo assim, né, tão diferente que a gente fica assim, sem acreditar, na verdade”, lembrou.

Quem também já comprou o pacote de viagem foi Gabriela Dias, juíza da Irmandade da Conceição da Praia, entidade que Irmã Dulce foi integrante durante muitos anos.

“O carinho vai aumentar, a devoção vai aumentar. A primeira santa que fez parte da irmandade. Então, é uma honra”, disse Gabriela.

A expectativa é de que o turismo religioso atraia mais visitantes para ver locais como a Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, onde atualmente estão os restos mortais de Irmã Dulce.

“Todos nós vamos ganhar com isso. O receptivo vai ganhar, a hotelaria, os pontos turísticos, a cidade, e nós queremos ser esse ponto de peregrinação com muito amor e muita confiança na propagação da fé da pessoa da Irmã Dulce”, disse Cândida Xavier, diretora de ética da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav).

Desde que foi publicado o reconhecimento do segundo milagre de Irmã Dulce, em maio deste ano, o número de visitantes no santuário e também no memorial tem crescido. Em relação a maio do ano passado, em maio deste ano houve um aumento de 110% do número de visitantes.

Canonização

A canonização de Irmã Dulce será a terceira mais rápida da história (27 anos após seu falecimento), atrás apenas da santificação de Madre Teresa de Calcutá (19 anos após o falecimento da religiosa) e do Papa João Paulo II (9 anos após sua morte).

Três graças alcançadas por devotos, após orações a Irmã Dulce, estavam sendo analisadas pelo Vaticano, com vista no processo de canonização da religiosa. Esses três casos foram enviados ao Vaticano pelas Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), em 2014, após análise de profissionais da própria instituição.

primeiro milagre foi reconhecido em outubro de 2010, quando Irmã Dulce foi beatificada. Depois disso, iniciou-se o processo para buscar a canonização, quando a pessoa passa a ser considerada santa pela Igreja Católica.

O Vaticano tem quatro exigências quanto à veracidade da graça, até ser considerada milagre: ser preternatural (a ciência não consegue explicar), instantâneo (acontecer imediatamente após a oração), duradouro e perfeito.

Frei Galvão, conhecido pelas pílulas milagrosas que, segundo a fé católica, têm poder de cura e que nasceu em 1739, em Guaratinguetá, no interior de São Paulo, foi o primeiro santo nascido no Brasil a ser canonizado, em 11 de maio de 2007, pelo então Papa Bento XVI.

Madre Paulina, que morava em Santa Catarina, também foi canonizada e ficou conhecida como a primeira santa do Brasil. Ela, no entanto, nasceu na Itália e só veio morar no país com a família aos 10 anos. Com isso, Irmã Dulce se tornará a primeira santa nascida no Brasil.

História e legado

Irmã Dulce, cujo nome de batismo era Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, é recordada por sua obras de caridade e de assistência aos pobres e necessitados. Religiosa da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, a beata nasceu em Salvador, em 26 de maio de 1914.

Desde cedo manifestou interesse pela vida religiosa. Aos 13 anos de idade, passou a acolher mendigos e doentes em sua casa, transformando a residência da família – na Rua da Independência, 61, no bairro de Nazaré – em um centro de atendimento. A casa ficou conhecida como “A Portaria de São Francisco”, por conta do grande número de carentes que se aglomeravam a sua porta.

Em 1933, a jovem ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, no Convento de Nossa Senhora do Carmo, cidade de São Cristóvão, em Sergipe. No mesmo ano, recebeu o hábito e adotou o nome de Irmã Dulce, em homenagem à sua mãe, que se chamava Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes e morreu quando a freira tinha 7 anos.

No ano de 1935, já de volta a Salvador, dava assistência à comunidade pobre de Alagados, conjunto de palafitas que se consolidara na parte interna do bairro de Itapagipe. Nessa mesma época, começa a atender também os operários que eram numerosos naquele bairro, criando um posto médico e fundando, em 1936, a União Operária São Francisco – primeira organização operária católica do estado, que depois deu origem ao Círculo Operário da Bahia.

Irmã Dulce, ainda criança, à esquerda da foto, com a família — Foto: Reprodução/Site da Osid

Em 1939, Irmã Dulce invadiu cinco casas na localidade da Ilha do Rato, na capital baiana, para abrigar doentes que recolhia nas ruas de Salvador. Expulsa do lugar, ela peregrinou durante uma década, levando os seus doentes por vários locais da cidade.

Por fim, em 1949, Irmã Dulce ocupou um galinheiro ao lado do Convento Santo Antônio, após autorização da sua superiora, com os primeiros 70 doentes. A iniciativa deu origem à história propagada há décadas pelo povo baiano de que a freira construiu o maior hospital da Bahia a partir de um simples galinheiro.

Já em 1959, é instalada oficialmente a Associação Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), e no ano seguinte é inaugurado o Albergue Santo Antônio.

A Osid atualmente é um dos maiores complexos de saúde com atendimento 100% gratuito do Brasil, com 3,5 milhões de atendimentos ambulatoriais por ano a usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), entre idosos, pessoas com deficiência e com deformidades craniofaciais, pacientes sociais, crianças e adolescentes em situação de risco social,dependentes de substâncias psicoativas e pessoas em situação de rua.

Segundo a instituição, nos últimos 25 anos a entidade contabiliza 60 milhões de atendimentos ambulatoriais e mais de 280 mil cirurgias realizadas, o que dá uma média de aproximadamente 30 cirurgias por dia.

Irmã Dulce faleceu no dia 13 de março de 1992, aos 77 anos, no Convento Santo Antônio, em Salvador.

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