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‘Niuma’, ‘baratino’, ‘larica’ e ‘barril’: Publicitária viraliza após criar perfil na internet com expressões da Bahia

Baiana, Roberta Magalhães mora em São Paulo há 3 anos e teve ideia para enaltecer vocabulário da terra natal. Em quase 2 meses, página acumula mais de 210 mil seguidores.

“É niuma”, “deixe de baratino”, “tô na larica”, “é barril”. Se você entendeu essas expressões, com certeza é da Bahia ou convive com alguém do estado. Se teve contato com elas agora, um perfil que vem bombando no Instagram nos últimos meses pode te ajudar a conhecer os significados.

A página Baianês Oficial️ traduz para termos da Bahia diversas frases e expressões do português. Criado há dois meses, o perfil viralizou e já acumula quase 220 mil seguidores.

A ideia partiu da publicitária baiana Roberta Magalhães, de 27 anos. Nascida em Salvador, ela mora em São Paulo desde 2016 e explica que a página surgiu como uma saída para enaltecer a forma baiana de falar e também defender o sotaque que sempre foi marcante na vida dela.

“Eu sempre tive um sotaque muito forte. Inclusive, em Salvador, minhas amigas falavam, meus namorados comentavam, que eu tinha um sotaque muito forte. E, desde que eu me mudei, eu falei: ‘Eu não quero perder minhas raízes. Não quero ser a pessoa que vai morar fora e volta falando diferente’”.

 Página 'Baianês' difunde o sotaque baiano nas redes sociais  — Foto: Reprodução/Instagram
Reprodução/Instagram

“Eu escutava muita coisa, como: ‘Que baianada’. E aí eu ficava revoltada e falava logo: ‘É o quê? Por que baianada? O que você quis dizer com isso aí?’. Todo mundo ficava sem graça. Eu sempre procurei defender mesmo”, conta.

Segundo Roberta, a página começou depois de um almoço com algumas amigas que também são baianas. O grupo conversava sobre o sotaque do estado e começou a brincar. Após o encontro, a baiana passou algumas coisas para o perfil pessoal no Instagram e deu certo.

Roberta conta que, após a publicação, a brincadeira fez sucesso, foi compartilhada por outras pessoas e chegou a rodar naqueles grupos que toda família tem no WhatsApp. O retorno veio por seguidores que, além de ver a publicação original, receberam os prints nas outras redes sociais.

“A gente saiu do restaurante e eu comecei a postar nos meus Stories do Instagram exatamente nesse formato de meme. Postei uma porrada. Uns 30, 40 com nossas expressões. No dia seguinte, eu recebi um direct de um conhecido falando: ‘Velho, recebi seus Stories no grupo da família'”.

Página 'Baianês' quando foi criada, no dia 30 de julho — Foto: Reprodução/Instagram
Com o sucesso, a baiana resolveu criar a página, para dar continuidade ao assunto. No entanto, o que começou como uma brincadeira com os amigos cresceu. Roberta conta que nas primeiras 24h a página acumulou mais de 30 mil seguidores, sem nenhum tipo de divulgação programada.
“No começo era um teste. Eu falei: ‘Vou colocar aí para ver o que rola’. Aí eu fiz, fui dormir com zero seguidores, e quando acordei tinha mil. Quando eu cheguei perto da hora do almoço tinha 5,7 mil. E o celular não parava. Era notificação o tempo todo. Depois do almoço tinha 10 mil. Fiz um post para agradecer. Chegou de noite e esse post ficou defasado, porque terminei o dia com 30 mil seguidores”.

“Foi um crescimento completamente orgânico. Eu nunca coloquei um centavo de mídia na página para nada. É muito legal”, conta.

A partir do sucesso, surgiram outras ideias. Atualmente, além de posts de publicidade naquele jeitinho baiano, a publicitária desenvolve camisetas femininas, masculinas e infantis, por meio de uma parceria com uma fábrica de Salvador.

“Eu quero criar essa identidade do orgulho de ser baiano. E cada detalhe é muito importante. Muitas vezes você está ali fazendo algo que tem um super conceito, muita identidade, falando super sobre baiano e, de repente, você coloca uma tag com uma mensagem genérica. Então, tudo tem que ser baiano, para combinar com a identidade da página”, fala a baiana.

Postagem da página 'Bianaês Oficial' — Foto: Reprodução/Instagram Postagem da página ‘Bianaês Oficial’ — Foto: Reprodução/Instagram

As camisetas trazem as frases no “baianês”, com alguns trabalhos de imagem feitos pela publicitária. As peças são vendidas na internet e chegam na casa dos clientes embaladas em uma sacolinha que segue o mesmo modelo, com uma fitinha do Senhor do Bonfim – que é um símbolo tradicional baiano.

 “Até então os modelos das camisas seriam simples como os posts do IG. Porém, depois de ter escolhido as cores dos tecidos que iríamos trabalhar inicialmente, num belo dia, antes de dormir, minha cabecinha começou a ferver. E eu levantei da cama, peguei o notebook e comecei a estudar algumas estampas diferentes que poderiam dar certo”, conta Roberta.

“Eu estou muito feliz com o resultado. Não esperava. E uma coisa muito massa da página é que a galera se identifica. Principalmente quem mora longe”.

O sucesso da página foi tão grande que, segundo Roberta, a ideia foi copiada por pessoas de outros estados, que também passaram a difundir os termos locais. Há perfis de Minas Gerais, Piauí e Goiás. Porém, nenhum deles tem a quantidade de seguidores que o Baianês.

“Eu sei que se a galera copiou é porque a fórmula deu certo, né? O meu é o pioneiro, o maior de todos, mas os outros também estão crescendo. E olhe que eu tenho um mês de página e eles vieram depois. Então, foi uma fórmula que deu certo mesmo, que viralizou. E eu vejo uma vida longa aí, porque tem muita coisa que eu ainda não postei”.

Das publicações na página, surgiu a ideia de fazer camisas com as estampas  — Foto: Arquivo Pessoal

Vocação

Roberta Magalhães conta que sempre teve aptidão para atividades que envolvem criatividade. Na infância, ela chegou a fazer balé e pintura. No entanto, quase cursou medicina, por causa da família.

A mãe da publicitária era dermatologista e morreu quando ela tinha 10 anos. Como a mãe deixou um consultório montado, a ideia era formar outra dermatologista, para assumir os negócios.

Roberta relata que chegou a fazer um cursinho pré-vestibular por um ano, mas acabou desistindo e se inscreveu no curso que ela realmente se identificava: publicidade.

“No começo meu pai foi contra, ficou sem falar comigo, disse que o consultório iria acabar, etc. E eu já estava certa que queria publicidade. Porém, com o coração partido, né. Tinha muito medo que não desse certo, porque, querendo ou não, é um campo difícil. Me sentia um pouco culpada achando que deveria ainda fazer medicina, mas enfrentei isso e acreditei. E deu muito certo”.

A baiana começou o curso ainda em Salvador, onde também estagiou na área. Porém, foi em São Paulo que ela concluiu a formação e consolidou a carreira. Atualmente, Roberta coleciona conquistas.

“Ganhei um prêmio de publicidade em São Paulo que se chama Young Lion. Além disso, fui pra Cannes pro Cannes Lions”, conta.

“A cada vitória na minha carreira, era uma coisa que eu fazia questão de gritar para todo mundo e dizer: ‘Sou mulher, sou nordestina e estou alcançando muita coisa aqui. Estou ocupando meu espaço’.

 
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