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Governo Bolsonaro ameaça liberdade de imprensa, segundo organizações

Associações destacam que postura em relação aos jornalistas na posse 'é incompatível com a democracia'

As restrições à circulação de jornalistas impostas pelo governo Bolsonaro na cerimônia de posse geraram protestos de associações de imprensa.

A situação precária de jornalistas de todo o mundo na cobertura da cerimônia de posse foi destacada pela colunista da Folha de S. Paulo Mônica Bergamo. Entre os motivos apresentados para as restrições de circulação pelos assessores presentes era de que se tratava de “uma posse diferenciada”.

“Um governo que restringe o trabalho da imprensa ignora a obrigação constitucional de ser transparente. Os brasileiros receberão menos informações sobre a posse presidencial por causa das limitações impostas à circulação de jornalistas em Brasília”, afirmou em nota a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), ainda no dia da posse.

Em nota divulgada nesta quarta (2), a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) afirmou que, na história recente do país, nunca houve restrições ao trabalho dos jornalistas para a cobertura das posses dos presidentes.

“Aos profissionais credenciados foi anunciado, por uma assessora do novo governo, que se tratava de ‘uma posse diferenciada e todos têm que entender isso’. A diferença, entretanto, foi uma demonstração inequívoca de que o novo governo acha-se no direito de desrespeitar uma das regras essenciais das democracias: a liberdade de imprensa”.

A ABI (Associação Brasileira de Imprensa) também destacou o ineditismo negativo dessa restrição aos jornalistas na cobertura. “O que se viu em diferentes cenários de Brasília é incompatível com o regime democrático. O respeito à imprensa é um dos principais indicadores de nações que se consideram civilizadas”.

“O novo mandatário também precisa ser alertado que a campanha eleitoral terminou”, finaliza a nota da ABI.

Durante a corrida eleitoral e na fase de transição, Bolsonaro teceu diversas críticas a veículos de comunicação -entre eles a Folha de S. Paulo, que acusou de ser “a maior fake news do Brasil”.

As restrições irritaram até mesmo a mídia internacional. Jornalistas de dois veículos da França e da China deixaram a sala de imprensa do Itamaraty ao serem informados de que não poderiam ter nenhum contato com o público e que só poderiam fazer breves instantes de gravação depois de sete horas de espera, às 19h, do momento da chegada de Bolsonaro ao prédio.

“Não tem sentido nós ficarmos aqui o dia todo, até 19h, sem poder falar com ninguém. Prefiro ir à rodoviária, à rua, qualquer lugar para ouvir as pessoas”, disse a francesa Fanny Marie, do canal de TV France 24, uma das que desistiram da posse.

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