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Funcionário da OAS diz que foi escalado para obra no sítio de Lula

Encarregado de obras da empreiteira presta depoimento a Moro como testemunha de defesa de Léo Pinheiro, ex-presidente da empresa

encarregado de obras da OAS Misael de Jesus Oliveira disse ao juiz Sergio Moro na tarde desta segunda-feira (18) que foi convocado por seu gerente para fazer uma reforma no sítio atribuído ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Atibaia (SP).

Misael prestou depoimento como testemunha de defesa de Léo Pinheiro, ex-presidente da empreiteira. Nesta ação, Lula é acusado de ter se beneficiado de R$ 1,02 milhão em benfeitorias no sítio, que teriam sido pagas pela OAS e Odebrecht.

Segundo a acusação, o ex-presidente era o verdadeiro dono do sítio, cujos proprietários formais são os empresários Jonas Suassuna e Fernando Bittar.

Misael, que trabalha na OAS desde agosto de 2013, afirmou que foi convocado para a obra em Atibaia em 2014. Segundo ele, o serviço foi efetuado de março a outubro, no período das eleições de 2014, e envolveu outros três funcionários.

O encarregado de obras disse a Moro que a mulher de Lula, Marisa Letícia (morta em fevereiro de 2017), fez alguns pedidos diretamente a ele, enquanto o ex-presidente apenas passava recados. Segundo ele, entre os pedidos, estavam uma poda nas árvores, uma reforma no lago e a construção de uma capela.

Misael afirmou que, de acordo com o que entendeu à época, a capela só seria construída se a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) fosse reeleita. O serviço, no entanto, não chegou a ser efetuado.

Ele também disse que comprou todo o material em espécie, em depósitos de Atibaia. Os pedidos eram feitos em seu nome e entregues no sítio. Posteriormente, segundo Misael, os recibos eram apresentados à OAS.

De acordo com o funcionário, a orientação desde o início era de total sigilo sobre a obra -ninguém poderia ficar sabendo, dentro ou fora da empresa. A OAS também teria proibido a utilização de uniformes da empreiteira.

Ele estimou que a obra tenha custado entre R$ 400 mil e R$ 500 mil reais, contando material e mão de obra. Os valores, segundo Misael, foram pagos inteiramente pela empresa.

Moro e o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, discutiram mais uma vez durante a audiência, quando o juiz indeferiu uma pergunta da defesa. “Mais uma vez o doutor está sendo hostil à testemunha. Sempre acontece quando tem uma testemunha contrária à tese da defesa”, disse Moro.

Durante a negociação de sua delação, que foi suspensa pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, Léo Pinheiro disse que, em 2014, Lula solicitou a reforma no sítio.

De acordo com o empresário, a OAS seria remunerada com o abatimento dos créditos com o PT e em retribuição aos serviços prestados por Lula em favor dos negócios internacionais da empresa.

O ex-presidente tem negado todas as acusações e sustenta que o sítio pertence a Suassuna e Bittar.

Em fevereiro, o ex-engenheiro da Odebrecht Frederico Barbosa também disse a Moro que foi orientado para que os funcionários da obra em Atibaia não utilizassem uniformes. Assim como Misael, ele afirmou que foi comunicado que o serviço seria para o ex-presidente.

Com informações da Folhapress.

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