Saúde

Entender o défice de atenção implica analisar todo o sistema nervoso

Este é o principal resultado de um estudo que visava identificar as diferenças registradas no cérebro de crianças e adultos com PHDA

Lusa

Um estudo desenvolvido por investigadores do Porto, em Portugal, sobre a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) indica que, para se entender na totalidade essa patologia e as suas causas, é necessário analisar o sistema nervoso.

“Para se compreender o que é a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) e quais são as suas causas, é necessário ir além das estruturas e redes do lobo frontal (região frontal de cérebro) e do neurotransmissor (dopamina), classicamente ligados a esta perturbação, e pensar de uma forma mais abrangente, envolvendo todo o sistema nervoso”, disse à agência Lusa Pedro Pereira Rodrigues, pesquisador do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde.

Este é o principal resultado de um estudo que visava identificar as diferenças registradas no cérebro de crianças e adultos com PHDA, através da utilização de diferentes técnicas de imagem, tendo sido analisados cerca de 100 estudos internacionais.

De acordo com os investigadores, a PHDA é uma das perturbações do neurodesenvolvimento mais comuns, afetando entre 5% a 8% das crianças em idade escolar, com especial incidência nos rapazes.

Apesar de muito estudada, ainda suscita inúmeras controvérsias, com cerca de 60% das pessoas diagnosticadas na infância ou na adolescência a manterem os sintomas na idade adulta. As conclusões do estudo demonstram que as alterações comportamentais observadas na PHDA podem ser explicadas por um desequilíbrio no funcionamento entre as várias redes neuronais.

As redes neuronais são “conjuntos de neurônios que funcionam em associação e cujas ramificações formam uma teia, que funciona como vias de comunicação entre as células cerebrais e que permitem a passagem de informação necessária para que o funcionamento humano desempenhe funções específicas, como manter o nível de atenção, saber a posição corporal ou ser capaz de ler um texto”, explicou Pedro Pereira Rodrigues. O desequilíbrio nessas redes, continuou o investigador, justifica a extensão e variabilidade dos sintomas associados à patologia.

Devido a isso, os pesquisadores apontam para a necessidade de uma abordagem multidisciplinar no diagnóstico e na intervenção terapêutica, com implicações na prática clínica.

“O diagnóstico deve recorrer a uma avaliação abrangente”, incluindo “não só os comportamentos típicos (défice de atenção e hiperatividade) mas, igualmente, outras competências que possam estar afetadas”, como “as sensoriais, regulatórias e motoras”, esclareceu o cientista.

Segundo indicou, isso leva à colaboração de profissionais de diferentes áreas de conhecimento, que podem contribuir para a formulação de um diagnóstico.

Além de Pedro Pereira Rodrigues, participaram neste estudo os investigadores Bruno Vieira de Melo e Maria João Trigueiro, da Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto.

O mesmo deu origem ao artigo “Systematic overview of neuroanatomical differences in PHDA: Definitive evidence, Developmental Neuropsychology”, publicado no jornal científico Developmental Neuropsychology.

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