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Dos 881 mortos pela polícia do Rio em seis meses, nenhum foi em área de milícia

Levantamento foi feito pelo UOL, que mostra recorde de mortes em ações policiais

Um levantamento feito pelo portal UOL mostra que, das 881 mortes registradas em operações policiais no 1º semestre deste ano no estado do Rio de Janeiro, nenhuma aconteceu em área de domínio da milícia no estado.
A análise do número recorde de homicídios em decorrência de “intervenções de agentes do estado”, como o Instituto de Segurança Pública (ISP) descreve as operações policiais, mostra que a política de “abate”, defendida pelo governador Wilson Witzel (PSC), se concentrou exclusivamente em áreas sob domínio de facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas.

Segundo o UOL, a reportagem considerou áreas de milícia os territórios apontados como domínio de paramilitares, segundo informações dos serviços de inteligência das polícias militar, civil e do Disque-Denúncia.

A constatação é resultado do cruzamento de dados estatísticos do ISP (o órgão responsável pela análise dos indicadores de violência no estado) com pesquisas do Observatório de Segurança RJ, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, e ainda relatos de moradores e entrevistas com especialistas em Segurança Pública.

De janeiro a junho, 881 suspeitos foram mortos em operações policiais no estado. É o maior número registrado nos últimos 17 anos.

Desse total, 813 vítimas viviam na capital ou em cidades da região metropolitana, com destaque para Niterói, São Gonçalo e Belford Roxo.

As outras 68 mortes em ações policiais aconteceram de forma pulverizada em municípios da Costa Verde, onde fica Angra dos Reis, e das regiões dos Lagos, com cidades como Cabo Frio e Búzios, e Serrana, como Teresópolis, entre outros locais.

O governo do Rio, em nota, disse “não fazer distinção entre criminosos, sejam eles integrantes de facções do narcotráfico ou de quadrilhas de milicianos”.

“A determinação é combater as organizações criminosas com igual rigor. As mortes em intervenções de agentes do estado ocorreram nos locais onde houve resistência armada às ações policiais”, comentou a assessoria do Palácio Guanabara.

O Ministério Público do Rio (MP-RJ) não informou o número de procedimentos em tramitação no órgão para apurar supostos excessos nas ações policiais.

A Polícia Militar e o governo do estado também não responderam sobre a quantidade de armamento e munição encontrada com os mortos no primeiro semestre deste ano. Clique aqui para ver a reportagem completa.

 

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