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Após PMs serem baleados, segurança é reforçada no Nordeste de Amaralina

Com medo, moradores não comentam situação: 'não sei, não ouvi e não escutei'

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A lei do silêncio impera entre os moradores do Complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador, nesta sexta-feira (29). Um dia depois de dois policiais lotados na 40ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/Nordeste de Amaralina) serem baleados e, horas depois, três moradores serem mortos – um deles taxista – por homens encapuzados, a população, temendo alguma retaliação, evita falar sobre o clima de insegurança na região. Fazem parte do complexo, além do Nordeste de Amaralina, Santa Cruz, Vale das Pedrinhas e Chapada do Rio Vermelho. O policiamento foi reforçado nos quatro bairros.

“Aqui é assim: ‘não sei, não ouvi e não escutei'”, disse um dos moradores da Santa Cruz, bairro onde dois policiais militares foram baleados na tarde dessa quarta (28), por volta das 17h. Um deles está em estado grave.

Outros moradores sequer tocam no assunto e se afastam da imprensa. “É o que você está vendo aí. Não posso dizer nada”, disse outro morador, se esquivando das perguntas.

“É evidente que se trata de uma emboscada. Um dos policiais foi atingido na cabeça e se encontra em estado grave. É uma situação que acaba sendo comum porque o nosso policiamento, às vezes, é feito à custa do nosso próprio sangue”, disse Damasceno.  

Ainda segundo o delegado, os ataques são feitos constantemente por bandidos que não se intimidam com a presença policial. Em algumas situações, comenta ele, os criminosos são apoiados pela população.

“Os bandidos, muitas vezes, acabam recebendo apoio da comunidade, já que nascem e crescem lá. Muitos dão cobertura. O perfil desses criminosos é de pessoas perversas que matam com requinte de crueldade”, afirma Damasceno, se referindo à morte do policial militar Gustavo Gonzaga da Silva, 44, que foi torturado por traficantes antes de ser morto na Santa Cruz. O corpo foi mutilado em seguida.

Clima
O CORREIO esteve na manhã desta sexta (29) nos bairros da Santa Cruz e Vale das Pedrinhas. Por lá, mesmo após os ataques, o comércio continuava funcionando normalmente e, nas ruas, é possível ver a presença de viaturas das Rondas Especiais (Rondesp) e da Companhia de Patrulhamento Tático Móvel (Patamo).

As escolas municipais e estaduais estão de recesso junino e as aulas estão suspensas durante esse período.

Os ônibus continuam circulando pelos bairros e o Sindicato dos Rodiviários, até o momento, não prevê a suspensão do serviço. De acordo com Fábio Primo, vice-presidente do sindicato, não chegou até a diretoria nenhuma denúnica de insegurança por parte dos rodoviários.

“No momento, continuamos rodando normalmente. Se a categoria não se sentir segura, iremos tomar algumas medidas para que se mantenha a ordem. Mas não há, até o momento, por parte da categoria, nenhuma reclamação. A relação entre a categoria e a comunidade é uma das melhores”, afirma o vice-presidente.

Já o presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT), Denis Paim, aconselha a categoria a evitar ao máximo circular pelas comunidades.

“A situação está tensa e tem havido muitos tiros, embora tenhamos a consciência de que muitos precisam sair para trabalhar, para enfrentar o dia a dia”, pondera Paim. 

O porta-voz da Comissão dos Taxistas da Bahia, João Adorno, por sua vez, disse que o clima é de segurança e não vê a necessidade de alertar os profissionais de rodar pelos bairros do complexo.

“A nossa recomendação de segurança é sempre a mesma: para ter cautela, seja em situações de morte ou queima de veículos nos bairros. Em relação a esses casos, não vemos a necessidade de deixar de rodar. Muitos taxistas são do próprio bairro e dão conta de transportar outros moradores”, disse.

*Com supervisão da editora Mariana Rios.

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